Ando cansada e talvez esteja por isso a ser influenciada por este sentimento.
Não luto, resigno-me; não discuto, ouço; não argumento, concordo; não vou, fico; tudo porque me sinto exausta de esforços inglórios.
Tenho saudades da pessoa que fui, do tempo em que sentia bem com tão pouco, que a luta era sempre ganha porque quase só entrava em batalhas em que o adversário era mais fraco, do tempo em que não existiam contra-argumentos, do tempo que não havia limites.
Mas tenho mais saudades da pessoa que sempre quis ser, daquela que sempre me quis tornar, daquela que a cada dia está mais distante.
Tenho saudades de me sentir realizada.
Tenho saudades de ti, do que foste mas principalmente do que gostaria que tivesses sido...
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2 comentários:
acho este poema lindo...e sugestivo ao teu post*
Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano,
Firmo o projeto, aqui isolado,
Remoto até de quem eu sou.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Que náusea da vida!
Que abjeção esta regularidade!
Que sono este ser assim!
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância),
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve,
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.
Outrora.
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Temos todos duas vidas:
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância,
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa;
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,
Que é a prática, a útil,
Aquela em que acabam por nos meter num caixão.
Na outra não há caixões, nem mortes,
Há só ilustrações de infância:
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler;
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.
Na outra somos nós,
Na outra vivemos;
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer;
Neste momento, pela náusea, vivo na outra…
Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro,
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.
Álvaro de Campos
beijinho Né
Então? Porquê tanta inoperância e resignação? Também depende de ti fazeres coisas para seres mais feliz... e sei que podes fazê-lo... e sei que podes conseguí-lo! Se até eu... que nao te conheço... sei isso... não posso crer que tu não o saibas!
"A vida é como andar de bicicleta... é preciso andar em frente para manter o equilíbrio" Albert Einstein
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