
Hoje partilho esta ideia, que não é minha. Como seres sociais que somos temos que viver com outras pessoas, temos que partilhar o nosso tempo e espaço com as pessoas que estão a nossa volta. Criamos laços, conexões, relações que podem ser afectivas, profissionais ou mesmo sociais.
Enquanto nos relacionamos com as pessoas que estão a nossa volta, vamos criando expectativas e esperanças, quanto mais próximas vão ficando, mais esperamos delas. É verdade que as vezes colocamos a fasquia muito alta, mas inevitavelmente esta é forma natural de relacionarmo-nos, só que quase sempre as pessoas acabam por não alcançar esse patamar em que as colocamos, acabam por não cumprir com as expectativas que temos nelas.
É nesta altura que somos invadidos por um sentimento de desilusão, de traição, de mágoa com as pessoas. Mas na verdade essa mágoa e essa raiva é para connosco, porque nós é que criamos demasiadas expectativas, nós é que nos deixamos iludir com as pessoas, nós é que fizemos delas algo que elas não são, ou não quiseram ser. Por isso alguém diz: “As pessoas não me desiludem, eu é que me iludo com as pessoas”.
Para mim, que quando fico magoada preciso chegar e dize-lo, dizer quanto me magoaram, é muito difícil pensar que não foram os outros que me magoaram, mas sim eu que deixei que me magoassem.
Acreditem não é assim tão fácil, pensar desta forma, só será quando for capaz de não criar qualquer tipo de expectativas nas pessoas, quando não esperar nada delas, quando deixar de me iludir…
Dedico este texto à Inês (ambas sabemos porquê)
